A farsa da tumba perdida de Jesus (Talpiot) e sua conexão ao código Da Vinci e ao Anticristo – Parte 2 (As falácias)

23-04-2015 12:09
                           
Veja primeiro:

A farsa da tumba perdida de Jesus (Talpiot) e sua conexão ao código Da Vinci e ao Anticristo – Parte 1 (Introdução e recentes desenvolvimentos)

http://www.nunes3373.com/news/a-farsa-da-tumba-perdida-de-jesus-talpiot-e-sua-conexao-ao-codigo-da-vinci-e-ao-anticristo-parte-1-introducao-e-ultimos-desenvolvimentos/
 
 

Parte 2

Depois de já termos analisado nas mais recentes “descobertas” que os impulsionadores da teoria da tumba de Jesus em Talpiot entram em terríveis contradições, vamos agora continuar a olhar para as falácias do filme original de Simcha Jacobovici e James Cameron (que é a base de toda a teoria em torno de Talpiot). Demonstraremos então como o crítico que analisa as evidências, facilmente desmonta as teorias anticristãs apresentadas por estes senhores.

Note-se que por simplificação usaremos nesta parte os nomes dos ossuários traduzidos por Cameron e Jacobovici como” Yeshua” (Jesus) e “Mariamenon” (Maria Madalena), mas como veremos na próxima parte esta tradução está longe de ser consensual e correta.

 

5. Localização do túmulo

 
 
O túmulo de Talpiot situa-se em Jerusalém e evidencia ser de uma família de classe média/alta, mas a família de Jesus era da Nazaré da Galileia e muito modesta, pelo que possuírem um túmulo localizado tão longe (mais de 100 km) das suas origens era altamente improvável, para não dizer impossível.

 Amos Kloner

 
O prof. Amos Kloner (1), arqueólogo, professor emérito da universidade Bar Ilan em Israel e que liderou as escavações em Talpiot, afirma:
“Não há nenhuma probabilidade de que Jesus e seus parentes tivessem uma tumba de família. Eles eram uma família da Galileia sem vínculos em Jerusalém. A tumba de Talpiot pertencia a uma família de classe média do século 1 dC.”

(...)
“Eles eram uma família paupérrima. Posso dizer positivamente que não aceito a identificação como pertencendo à família de Jesus em Jerusalém. Não aceito, nem historicamente, nem arqueologicamente”, afirmou o arqueólogo.
 
O pesquisador do Oriente Médio e antropologista bíblico Joe Zias (2)  declara: “isto não tem nada a ver com Jesus, ele era conhecido como Jesus de Nazaré, não Jesus de Jerusalém e se a família fosse abastada o suficiente para poder ter um túmulo, o que provavelmente não eram, teria sido em Nazaré, não em Jerusalém”.
 

 Jodi Magness

 
A Dra. Jodi Magness (3), arqueóloga da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill, especialista em túmulos do primeiro século observa em seu artigo publicado no Instituto Arqueológico da América, que na época de Jesus, apenas as famílias ricas enterravam seus mortos em túmulos cortados à mão a partir de rocha sólida, colocando os ossos em nichos nas paredes e, em seguida, transferindo-os para ossuários. Jesus era um pobre carpinteiro e não há nenhuma evidência de que a sua família fosse rica o suficiente para pagar uma tumba de pedra cortada e ossuários. Ela diz também que a localização é errada:
 "Se a família de Jesus tivesse sido rica o suficiente para comprar um túmulo talhado na rocha, este teria sido em Nazaré, não em Jerusalém," de acordo com Magness.

Exemplo de tumba em Israel do I século

 
Além disso, Magness observa que os nomes nos ossuários de Talpiot indicam que o túmulo pertencia a uma família da Judeia (área ao redor de Jerusalém), onde as pessoas eram conhecidas por seu primeiro nome e nome do pai. Como galileus, Jesus e os seus familiares teriam usado seu primeiro nome e cidade natal (Jesus de Nazaré). Magness também observa corretamente que não há informações sobre a análise da relação de "Maria" e "Jesus filho de José" ou quaisquer outros ocupantes do túmulo.
 

6. O que os testes de DNA do documentário nos dizem?

 
No filme, o teste de DNA foi convenientemente efetuado em apenas duas amostras – os de “Jesus” e os de Mariamenon. O DNA estava tão degradado que não poderia ser determinado pela sequenciação do DNA nuclear (os principais cromossomas). Apenas o DNA mitocondrial (mtDNA) estava disponível para o sequenciamento.
O filme não dá quaisquer detalhes sobre o teste que não seja a alegação de que os indivíduos “não foram relacionados.”
Uma vez que “Jesus” e Mariamenon eram “independentes”, os cineastas assumiram que eram casados e tinham um filho chamado Judá (a partir do ossuário “Yudá, filho de Yeshua”).

No entanto, a conclusão de que “Jesus” e Mariamenon eram casados não pode ser determinada a partir da evidência de DNA e muito menos que esse Judá era filho de ambos.

Dado que o mtDNA só é transferido da mãe para filha (ou filho), a quem eles chamam “Jesus” poderia muito bem ser o pai de Mariamenon (ou qualquer outro parente pelo lado paterno), e os testes de mtDNA indicariam que eles não eram “relacionados”. Só a análise do DNA nuclear poderia determinar se “Jesus” e Mariamenon foram verdadeiramente relacionados ou não.

Assim, o teste de mtDNA nos diz apenas que “Jesus” e Mariamenon não eram irmãos ou relacionados maternalmente. Nenhuma outra relação pode ser determinada a partir do teste de mtDNA, contrariamente ao que tenta alegar o filme!

 

7. Evidências históricas e literárias

 
Interessa também referir que chegaram até nós mais cópias do Novo Testamento (N.T) do que qualquer outro texto da antiguidade, cópias antigas (contemporâneas dos mais antigos textos do N.T.) de outros livros contam-se pelos dedos, ao passo que existem mais de cinco mil textos em grego, dez mil em latim e nove mil e trezentos em outras línguas do novo testamento que remontam aos primeiros três séculos.

  Nada oferece tantas garantias históricas quanto o Novo Testamento Bíblico

 
Mais ainda, o tempo decorrido entre o original e a primeira cópia chegada até nós é de apenas 300 anos para todo o novo testamento, por outras palavras: de um ponto de vista de relato histórico as provas dos acontecimentos sobre os quais se baseia o cristianismo são muito mais documentadas e sólidas do que qualquer outro acontecimento histórico da antiguidade!
Assim quem duvidar dos mesmos terá obrigatoriamente que duvidar de toda a história contada até ao fim do primeiro milénio depois de cristo, pois documentalmente NADA oferece tantas garantias.

Sendo assim, uma qualquer teoria como a de Talpiot jamais poderá ser vista como definitiva do ponto de vista histórico.

As reivindicações sensacionalistas, feitas por Cameron e outros a favor do túmulo de Talpiot, lembram-nos que a evidência arqueológica, como também a evidência literária, precisa ser interpretada. Seu sentido não pode ser percebido à primeira vista. A evidência arqueológica, de modo particular, precisa ser avaliada à luz da evidência literária. 
Assim, por exemplo, se o teste de DNA revelasse que a pessoa cujos despojos estavam guardados no ossuário em que estava inscrito “Judá, filho de Jesus” fosse filho desse Jesus e Mariamenon, seria, então, a prova definitiva de que o túmulo de Talpiot não é a sepultura de Jesus de Nazaré, uma vez que dispomos de evidência literária esmagadora de que Jesus de Nazaré não era casado, mas preferiu permanecer celibatário. Temos fontes variadas, antigas e independentes que são unânimes em descrever Jesus como celibatário. Caso Jesus tivesse deixado após si uma viúva na igreja primitiva, então é quase inconcebível que não houvesse nenhuma menção a respeito dela em nenhum lugar das fontes. Especialmente importante é o fato de que Paulo, ao justificar seu direito de ser acompanhado em suas viagens por uma esposa, apela para o exemplo de Pedro, dos outros apóstolos e dos irmãos mais novos de Jesus:

“Não temos nós direito de levar connosco uma esposa crente, como também os demais apóstolos, e os irmãos do Senhor, e Pedro?”

1 Coríntios 9:5
O que falta de maneira notável é um apelo ao exemplo do próprio Jesus, que teria servido de argumento arrasador a favor do ponto defendido por Paulo. Quase todos os eruditos, portanto, concordam que Jesus de Nazaré preferiu o celibato ao casamento.
 

8. Nada de evidências de crucificação

 

A prática da crucificação na antiguidade foi trazida à vida como nunca antes, quando os ossos do calcanhar de um jovem chamado Yehohanan foram encontrados em uma tumba de Jerusalém, perfurado por um prego de ferro. A descoberta trouxe uma luz sobre os métodos de crucificação romana e começou a reescrever a história da crucificação na antiguidade. Foto: © Erich Lessing

 
De referir também que nos ossos encontrados no ossuário "Jesus filho de José" os arqueólogos não encontraram sinais de crucifixão, contrariamente ao achado arqueológico de Giv-at-mitvar em 1963, onde foi descoberto um ossuário com um esqueleto evidenciando a crucifixão (4).
Esta é mais uma prova que o "Jesus" de Talpiot não é o mesmo dos evangelhos!

 Ossuário de Yehohanan encontrado em Jerusalém

 
Mas as falácias de Talpiot não ficam por aqui...
Na próxima parte analisaremos ao pormenor as sérias questões levantadas pelos especialistas relativamente às traduções dos nomes encontrados nos ossuários de Talpiot.
Como veremos elas são tudo menos consensuais, devendo ser encaradas com muito ceticismo.
Continua…
 

Referências:

 
(3) Jodi Magness
 
(4) Prova da Crucificação Romana - Arqueologia.
narrativabiblica.blogspot.pt/2012/04/prova-da-crucificacao-romana.html
 

Fontes:

 

“A tumba perdida de Jesus”: Será que os ossos de Jesus Cristo foram encontrados em Jerusalém?

http://logosapologetica.com/a-tumba-perdida-de-jesus-sera-que-os-ossos-de-jesus-cristo-foram-encontrados-em-jerusalem/

Suposta descoberta da família de Jesus

http://www.reasonablefaith.org/portuguese/suposta-descoberta-da-familia-de-jesus-tomb

O túmulo da família de Jesus, Fato ou ficção?

y-jesus.org/portuguese/more/jft-familia-de-jesus/