Bíblia, porque podemos e devemos crer nas escrituras (act.3)

25-03-2014 11:50

                 

 
Nota:  Este artigo podia ser a Parte 4 da série; Porque acredito na Bíblia (1), mas trataremos deste assunto de forma autónoma pois falaremos mais sobre a validade dos textos das escrituras Bíblicas atuais do que propriamente do seu conteúdo, que já foi analisado na série de artigos em questão.
 
 

Introdução

 
Atualmente têm surgido muitas correntes de pensamento a pôr em causa a incorruptibilidade das escrituras e mesmo a existência de Jesus, como por exemplo o movimento Zeitgeist, também já abordado e refutado por mim noutro artigo (2).
Tentarei de uma forma simples a nível histórico provar porque acredito de uma forma geral nos textos da Bíblia, e igualmente de forma simples poderia dizer que mediante a guerra espiritual que aqui está em causa (3), Deus sendo todo-poderoso, magnânimo e literalmente O MAIOR, poderia só por sua vontade ter arranjado formas de manter as suas escrituras praticamente invioláveis. 
Mas faremos mais, iremos demonstrar como assim realmente foi feito, vamos então analisar os fatos dividindo a Bíblia em:

O Velho Testamento (anterior a Jesus) – V.T.

O Novo Testamento (posterior a Jesus) – A.T.

 

1-VELHO TESTAMENTO

 
Durante muito tempo colocou-se a questão se os manuscritos do V.T. bíblico mereciam credibilidade.
E isto porquê?
Porque até há pouco tempo as cópias mais recentes que tínhamos dos mesmos datavam de aproximadamente 1000 anos ou seja relativamente recentes em comparação com os eventos relatados, mas com as descobertas das cavernas de Qumran no mar morto – OS MANUSCRITOS DO MAR MORTO (4), todas as dúvidas se dissiparam.
Comparações minuciosas têm sido feitas entre o Texto Massorético e os Manuscritos do Mar Morto. Na grande maioria dos mesmos encontraram-se diferenças insignificantes de ortografia e gramática. Os críticos e céticos em relação à Bíblia ficaram surpresos quanto à maneira pela qual o texto daqueles manuscritos se assemelha ao texto atual.
Ou seja, se dúvidas existiam sobre a validade dos textos bíblicos, com esta descoberta deixaram de existir pois os manuscritos encontrados recentemente em Qumran atestam a validade da grande maioria dos atuais como fiéis aos mais antigos textos da Bíblia hebraica.
A única coisa que aponto, pelo meu estudo aos textos recentes, são algumas (poucas) omissões e por vezes alguns pontuais erros de tradução ou de copistas, que realmente podiam trazer um pouco mais de luz às origens da história humana, mas seja como for o que temos para o estudante dedicado chega e sobra para o correto entendimento do que se passou e do que está em causa. Quem desejar saber mais sobre as comparações e a fiabilidade dos textos, aconselho:
 
 

O VERDADEIRO TESOURO DOS MANUSCRITOS DO MAR MORTO

www.beth-shalom.com.br/artigos/manuscritos_mar_morto.html
 

2-NOVO TESTAMENTO

Quanto a este importa antes de mais dizer que chegaram até nós mais cópias do Novo Testamento (N.T.) do que qualquer outro texto da antiguidade, cópias antigas de outros livros contemporâneos do N.T. contam-se pelos dedos das mãos, ao passo que existem mais de cinco mil textos em grego, dez mil em latim e nove mil e trezentos em outras línguas do novo testamento que remontam aos primeiros três séculos.
Mais ainda, o tempo decorrido entre o original e a primeira cópia chegada até nós é de apenas 300 anos para todo o novo testamento, por outras palavras de um ponto de vista de relato histórico as provas dos acontecimentos sobre os quais se baseia o cristianismo são muito mais documentadas e sólidas do que qualquer outro acontecimento histórico da antiguidade, logo quem duvidar dos mesmos terá obrigatoriamente que duvidar de toda a história contada até ao fim do primeiro milênio depois de cristo pois documentalmente nada oferece tantas garantias.
Mas ultimamente e ignorando todos estes fatos têm surgido teorias rocambolescas de que Jesus nunca existiu e/ou que foi uma invenção do império romano, em primeiro lugar vejamos esta frase da wikipédia:
 

A crucificação de Jesus está descrita nos quatro evangelhos canônicos, foi atestada por outras fontes antigas e está firmemente estabelecida como um evento histórico confirmado por fontes não-cristãs”

Fonte: pt.wikipedia.org/wiki/Crucifica%C3%A7%C3%A3o_de_Jesus
 
Mais importante de que essa frase é a história absolutamente comprovada e aceite por qualquer historiador digno do nome, vejamos em termos muito simples, mas suficientes, o que historicamente ocorreu:
 

O Imperador Constantino

 Constantino, o Grande (em latim Flavius Valerius ConstantinusNaisso272— 22 de maio de 337), foi um imperador romano, proclamado Augusto pelas suas tropas em 25 de julho de 306

 
O  primeiro imperador supostamente a se converter ao cristianismo foi Constantino (5), tendo este feito o célebre concilio de Niceia em 325 d.C. (6)
Mas a verdade é que a "conversão" de Constantino foi uma mentira. Como Will Durant e outros historiadores destacaram, Constantino nunca renunciou sua lealdade aos deuses pagãos. Ele não aboliu o altar de Vitória no Senado, nem o altar da Virgem Vestal, que cuidava do fogo sagrado da deusa Vesta. O Deus‑sol, não Cristo, continuou a ser honrado nas moedas imperiais. Apesar da “cruz” (na verdade a cruz do deus Mitra) nos escudos e nas bandeiras militares, Constantino tinha um medalhão em honra ao Sol pela “libertação” de Roma; e quando ele proclamou um dia de descanso, foi novamente em nome do Deus‑sol (“o dia celebrado para a veneração do sol”), e não do Filho de Deus. Durant nos lembra de que por toda a sua vida “cristã”, Constantino usou os ritos pagãos bem como os ritos cristãos e continuou a depender das “fórmulas mágicas pagãs para proteger lavouras e curar doenças”. Constantino também assassinou aqueles que poderiam reivindicar seu trono, incluindo o seu filho Crispus, um sobrinho e um cunhado, isto é uma indicação adicional de que sua “conversão” foi uma clara manobra política para unir o império, como muitos historiadores concordam. O historiador Philip Hughes, mesmo sendo um sacerdote católico, nos recorda que “em suas condutas, ele [Constantino] permaneceu, até o fim, muito mais pagão do que no início. Seu temperamento furioso, a crueldade que uma vez despertada não poupou nem mesmo a vida de sua esposa e seu filho, são […] testemunhas desagradáveis da imperfeição da sua conversão”.

 O cristianismo não surgiu em Niceia com Constantino como muitos alegam. O que surgiu foi uma variante de raizes pagãs: O Catolicismo Romano

 
Dito isto e voltando ao concílio de Niceia, este foi a primeira tentativa de obter um consenso da igreja através de uma assembleia representando toda a cristandade. Nessa reunião discutiu-se quais os evangelhos que deviam constar do Cânon Bíblico, que como veremos mais à frente não sofreu alteração ao que já existia a circular na altura.

Ou seja só no ano 325 d.C. é que o Império Romano decide supostamente (porque na verdade nunca se converteram (7)) adotar o cristianismo, até lá os cristãos foram brutalmente perseguidos pelo império romano, relembro a hedionda perseguição do imperador Nero:

 

Perseguição aos cristãos

pt.wikipedia.org/wiki/Persegui%C3%A7%C3%A3o_aos_crist%C3%A3os
 

Deixo também uma prova cabal que mesmo antes de Constantino, Jesus, nomeadamente em Israel já era aceite como Deus por comunidades messiânicas, sendo esta das maiores e no entanto menos discutidas descobertas arqueológicas da atualidade:

 

 Mosaico de Megido (240 d.C), nele há menções a Jesus como Deus e o simbolo cristão do peixe

 

ARQUEOLOGIA DE MEGIDO

atestemunhafiel.no.comunidades.net/index.php?pagina=1034915845
 
E deixo também um artigo que refuta por completo uma "novidade" nestas teorias de Jesus ter sido "inventado pelos romanos" que ultimamente tem feito furor nas ignorantes comunidades anticristãs:
JESUS FOI INVENTADO PELOS ROMANOS?
osbastidoresdoplaneta.wordpress.com/2013/10/21/jesus-nao-foi-inventado-pelos-romanos/
 
E para terminar, alguns ignorantes de movimentos de desinformação dizem ainda que até Constantino não existia ainda nenhum manuscrito do Novo Testamento, a esses deixo apenas algumas informações:

Evangelho de João

"O Papiro P52, também conhecido como o "fragmento de João", é um fragmento do papiro exposto na biblioteca de John Rylands, em Manchester, Reino Unido. Contém partes do capítulo 18 do Evangelho de João, em grego (31 - 33 e 37-38). Embora Rylands P52 seja aceito geralmente como registro canônico, a datação do papiro não é assunto de consenso entre os comentadores. Mas o estilo da escrita leva a uma data entre os anos de 125 e 160 d.C..6"

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Evangelho_s..._Jo%C3%A3o
 

Evangelho de Mateus

Matitiyahu Hebraico

Diversos relatos históricos dos chamados “pais da igreja” nos revelam que Matitiyahu (Mateus) originalmente compôs as suas boas novas no hebraico. Esse texto era usado de forma praticamente unânime entre todas as seitas judaicas de seguidores do Messias:


Abaixo, alguns dois dos principais relatos históricos:


Irineu - século II:


“De fato, Mateus, dentre os hebreus em seu próprio dialeto, também produziu um evangelho...”
(Contra Heresias 3:1:1)



Orígenes - século III:


“... o primeiro [evangelho] foi escrito foi o segundo aquele que era um publicano, mas depois um emissário de Yeshua o Messias, Mateus, que o publicou para aqueles do Judaísmo que haviam crido, ordenado e reunido em letras hebraicas.” (Comentário de Mateus)
 
 

Fragmento Muratoriano

 
 
E temos ainda o fragmento de Muratori, ele é o mais antigo cânon ou lista autêntica dos livros das Escrituras Gregas Cristãs. O Fragmento Muratoriano estabelece uma lista de escritos considerados inspirados. Como pode imaginar, o conteúdo exato da Bíblia é de enorme importância. Apesar de ser consensual datar o manuscrito como do séc.VII, o original foi escrito em grego muitos séculos antes do Fragmento, que é uma tradução do grego para o latim.  O que nos ajuda a saber a data do original é que ele menciona o livro não-bíblico "O Pastor"e diz que um homem chamado Hermas o escreveu muito recentemente, em nossos tempos, na cidade de Roma”. Eruditos estimam que a escrita de O Pastor,de Hermas, terminou entre 140 d.C e 155 d.C. É por isso que o original, em grego, do Fragmento Muratoriano, em latim, é datado entre 170 d.C e 200 d.C.. Os livros canónicos mencionados na lista são aproximadamente os mesmos que se consideram hoje como canónicos neo-testamentários.

Com certeza estes relatos chegam...
 
 
Vendo tudo isto, sem sombra de dúvidas que ninguém no seu perfeito juízo pode afirmar que foi Roma ou seja lá quem for que “inventou Jesus”, Roma sim crucificou e perseguiu os cristãos até ao imperador Constantino e mesmo depois o fez, como por exemplo na Inquisição, onde milhares de verdadeiros cristãos foram mortos por não aceitarem os dogmas católicos.
 

Mas alguns ainda poderão colocar questões sobre quando do concilio de Niceia em que a igreja católica foi efetivamente fundada, se Constantino poderia ou não ter alterado os evangelhos?

E como resposta é necessário bom senso e raciocínio, vejamos;

Constantino apenas fundou a igreja católica e supostamente se diz cristão porque a tática de matar os verdadeiros cristãos não estava a funcionar, quanto mais matavam, mais se convertiam, então a decisão foi:
Se não os podes vencer, junta-te a eles! 
Mas verdadeiramente alterar os evangelhos não era hipótese, pois os mesmos já estavam bastante difundidos por todo o império pelos verdadeiros cristãos. Ou seja interpretações dos textos à sua maneira e erróneas eles podiam fazer e fizeram, agora alterações na redacção aos textos era impossível pois isso não iria resolver o problema base que era controlar a expansão do verdadeiro cristianismo.
(Relativamente às diferenças entre o cânon católico e o protestante, saiba mais em (8))
Estes são fatos históricos concretos e indesmentíveis, deitando por terra qualquer teoria de que jesus foi inventado pelo império romano seja por Constantino ou outro qualquer imperador, aliás só alguém muito ignorante a nível histórico poderá ser iludido com afirmações como essas.
Conforme Frederick Fyvie Bruce, professor Catedrático de Crítica e Exegese da Bíblia, na Universidade de Manchester, corretamente afirmou:

"Alguns escritores podem brincar com a idéia fantasiosa de um 'mito de Cristo', mas não podem fazê-lo com base nos dados históricos. A historicidade de Cristo é tão axiomática para um historiador desprovido de preconceitos como é a historicidade de Júlio César. Não são os historiadores que propagam as teorias a respeito de um 'mito de Cristo'".

 
Otto Betz conclui que :

"nenhum pesquisador sério se aventurou a postular a não historicidade de Jesus".

Sendo assim de uma forma sucinta dou provas suficientes porque considero que podemos e devemos confiar na redacção dos textos bíblicos atuais, não abordando todas as outras razões que já anteriormente foram divulgadas na série de artigos;

Porque Acredito na Bíblia (1)

 

Saiba mais sobre este assunto com provas documentais em:

AS PROVAS CONCRETAS DA EXISTÊNCIA DE JESUS

www.opesquisadorcristao.com.br/2010/02/as-provas-concretas-da-existencia-de.html

 

Conclusão:

 
Efetivamente de forma sobrenatural ou não, Deus soube manter a sua palavra para todos os que a procuram, não há desculpas com bases históricas fidedignas para se colocar de lado os evangelhos. Os satanistas tentam de todas as formas afastar as pessoas de Jesus mas só quem não o procura não o encontrará e na verdade infelizmente muitos não o querem encontrar...

O que é uma verdade indismentível é que se todos praticassem os mandamentos de Jesus este mundo era um Paraíso, e maior prova do que essa não existe!

Abraço
 

Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim”

 João 5.39
 

Referências:

 

(1) Porque acredito na Bíblia (Parte1) – Ciência, Arqueologia & Numerologia

www.nunes3373.com/news/porque-acredito-na-biblia-%28parte1%29-%e2%80%93-ci%c3%aancia%2c-arqueologia-numerologia/

Porque acredito na Bíblia (Parte 2) – A Profecia Bíblica

www.nunes3373.com/news/porque-acredito-na-biblia-parte-2-a-profecia-biblica/

Porque acredito na Bíblia (Parte 3) – A Justiça Divina

www.nunes3373.com/news/porque-acredito-na-biblia-%28parte-3%29-%e2%80%93-a-justi%c3%a7a-divina/
 

(2) ZEITGEIST, A GRANDE MENTIRA

www.nunes3373.com/news/zeitgeist-a-mentira/
 

(3) A VERDADE

www.nunes3373.com/news/a-verdade/

 

(4) Os Manuscritos do Mar Morto e as origens humanas (act.)

www.nunes3373.com/news/os-manuscritos-do-mar-morto-as-origens-humanas/

 

(5) Constantino

pt.wikipedia.org/wiki/Constantino

 

(6) Primeiro Concílio de Niceia
pt.wikipedia.org/wiki/Primeiro_Conc%C3%ADlio_de_Niceia

 

(7) Vaticano & Maçonaria, catolicismo vs cristianismo

www.nunes3373.com/news/vaticano%20e%20ma%c3%a7onaria-%20catolisismo%20vs%20cristianismo/

 

(8) Saiba qual a diferença entre a Bíblia Católica e a Evangélica e conheça os livros apócrifos

noticias.gospelmais.com.br/saiba-diferenca-biblia-catolica-evangelica-29763.html

Leia mais: www.nunes3373eb.com/news/biblia-porque-podemos-e-devemos-crer-nas-escrituras/